Idade do prazer

Idade do prazer: como voltar a sentir prazer no envelhecimento

Entre mitos e tabus: é possível ter uma prática sexual saudável e prazerosa na chamada terceira idade?

Doutor Max responde sobre aproveitar o prazer durante o envelhecimento.

O envelhecimento

À medida em que desmistificamos questões relacionadas à sexualidade e nos propomos a refletir e a dialogar mais e melhor sobre essas questões, o que, além de outros fatores, é fruto da chamada revolução sexual iniciada há 50 anos, também precisamos desconstruir outros mitos e tabus relacionados ao envelhecimento e à supervalorização da juventude.

As mudanças culturais protagonizadas pela juventude dos anos 60 do século passado abriram caminho para a derrubada de tabus relacionados às práticas sexuais e, assim, assistiu-se nas últimas décadas a grandes mudanças relacionadas ao tema, somando-se a isso as grandes revoluções tecnológicas, principalmente, a vertiginosa transformação dos meios de comunicação ocorrida nos últimos vinte anos, o que em tese permite que se fale mais sobre tudo, inclusive sobre sexo.

Todavia, essa mesma juventude, a partir de seu protagonismo, culminou a figura do jovem como idealizada; na contramão do que até então se almejava, a maturidade e a respeitabilidade da vida adulta e a sabedoria da idade avançada. Os valores que passamos a cultuar voltaram-se cada vez mais para a supervalorização do corpo, da mente e das atitudes da juventude, como ideais de vida, refletindo muitas vezes uma ojeriza ao envelhecimento.

Casal andando junto a beira do lago

Considerada a idade produtiva, tudo que foje aos padrões estabelecidados ao ideal de juventude, tende a ser rechaçado em nossa sociedade, e não é diferente quando a questão é a sexualidade da população idosa. Considerada, em contrapartida, geralmente como idade improdutiva, por representar uma retirada do mercado de trabalho e uma mudança nas condições de atuar nas atividades cotidianas, a chamada terceira idade é associada frequentemente à imagem de assexualidade.

Paradoxalmente, a mesma juventude que se viu diante de mudanças dos paradigmas em que nasceu, a qual muitas vezes rompeu ou assistiu a rompimentos dos tabus sociais relacionados ao sexo e cresceu sob a máxima cada dia mais constante de que é necessário gozar a vida, o que inclui a vida sexual, hoje tem de lidar com sua suposta retirada dos holofotes e de uma vida sexualmente ativa.

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Questões fisiológicas

Inegavelmente, ocorrem mudanças em nossos corpos ao longo de toda nossa vida, por diversos fatores. As mudanças que podem afetar a saúde sexual das idosas e dos idosos estão listadas em artigo da Revista Ciência e Saúde Coletiva (vol. 19, agosto de 2014) como: “ereção mais flácida, sendo necessário mais tempo para alcançar o orgasmo; ereções involuntárias noturnas diminuem; ejaculação retardada e redução do líquido pré-ejaculatório ”,  no caso dos homens, e “diminuição dos hormônios pelos ovários; a pele tende a ficar mais fina e seca; a lubrificação vaginal diminui, podendo ocorrer a dispaurenia [dor durante o ato sexual]; o orgasmo fica em menor duração devido às contrações vaginais estarem mais fracas e em menor número” , no caso das mulheres.

 

Mitos e tabus

Casal idoso abraçados e nus

Conforme o Relatório sobre saúde sexual, direitos humanos e legislação da OMS (2015): “A saúde sexual hoje é amplamente entendida como um estado de bem-estar físico, emocional, mental e social em relação à sexualidade”. Ou seja, a prática sexual é uma questão de saúde que se estende muito além da parte física

Tendemos a associar as práticas sexuais apenas ao corpo, quando não, a partes do corpo, como as genitais. Logo, diante das mudanças corporais que advém com o envelhecimento, tende-se a supor uma inerente dificuldade ou incapacidade desse corpo funcionar sexualmente. Todavia, a saúde sexual não se restringe à saúde física, portanto, engloba e afeta questões socioemocionais, da mesma forma como sua prática não necessita se restringir apenas ao corpo e órgão genitais.

Como supervalorizamos a juventude, versamos nosso foco sobre o que se perde a partir das mudanças, e não nos ganhos. Geralmente, não se compreende a questão do envelhecimento como um processo natural de mudança, mas como um processo de perda. Ao se encarar como mudança, é possível compreender que as práticas também podem mudar, deixando de se focar no que “não funciona”, mas antes se voltando a outras questões erógenas, como o toque, a carícia e tantas outras práticas possíveis não focadas apenas nos órgãos genitais.

O reverenciado mito do corpo jovem como o único que é belo também influi na questão da saúde sexual. Em pesquisa que fala sobre análise de perfis, publicada na revista Ciência e Saúde Nova Esperança, de dezembro de 2015, observa-se no relato de muitas idosas a questão da não aceitação da autoimagem como passível de desejo. Às mudanças na pele, nos músculos, naturais do processo de envelhecimento, são atribuídos significados negativos, o que influi na questão emocional e gera uma autolimitação nas possibilidades de vivências sexuais.

Há ainda mais um dado relevante nessa mesma pesquisa, o fato de que muitas continuam suas atividades sexuais apenas se tiverem um companheiro; porém, a viuvez é mais comum às mulheres do que aos homens. Eles, por outro lado, tendem a buscar parceiras mais jovens, com quem mantem suas relações sexuais, mas caso não o façam, também reduzem significativamente sua atividade sexual.

Casal idoso acariciando-se

É mesmo necessário deixar de gozar a vida?

Uma pesquisa pblicada na revista científica The American Journal of Medicine em janeio de 2012 afirma que a satisfação sexual das mulheres aumenta conforme a idade. Embora muitas não apresentem inicialmente desejo sexual, mais de 60% delas atingiriam o orgasmo durante a relação, apresentando uma média superior à de mulheres mais jovens. Ou seja, com a maturidade e a quebra de tabus, a satisfação sexual aumentaria.

Como tudo que envolve a terceira idade, os limites da vida sexual podem não passar de mito.

A melhor maneira de manter uma sexualidade ativa e prazerosa e entendo a si próprio e o parceiro.

A sexualidade é um delicado equilíbrio entre as questões emocionais e físicas.

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